“Se eu disser que já nem sinto nada, que cada batida do meu coração não acelera quando te vê, que a minha respiração parou de acelerar por alguns segundos quando chegas perto, que o calor do teu abraço perdeu o encanto, que fizeste as borboletas do meu estômago voar para um lugar distante. E se eu te disser que perdeste a capacidade de revirar a minha vida e te tornaste num nada, o nada que virou uma lembrança que eu tento esquecer. E se eu disser que quando estou contigo já não me preocupo se estou bonita o suficiente para ter os teus olhares apenas para mim, que não me preocupo onde tu estavas ontem e se hoje o teu signo combina com o meu. Por favor, NÃO ACREDITES.”
É estranho não reconhecer aquela pessoa que está refletida no espelho.
É ridículo olhar fundo nos olhos dela e não encontrar aquela doce inocência, aquela alegria e vontade de viver que um dia a caracterizaram.
É triste decifrar toda aquela solidão, aquela tristeza, aquele mal estar.
É doloroso vaguear pelas sua lembranças. Lembranças cheias de dor, de mágoa. Lembranças que outrora foram repletas de alegria, de vida.
É comum encontrar no seu rosto aquele sorriso ensaiado. Todos o conseguem ver, mas nem todos percebem que não passa de uma máscara para esconder a revolta dentro dela, a agonia em que se encontra.
É fácil encontrar as lágrimas que anseiam por se libertar. As lágrimas que um dia apenas percorriam a sua face por birra ou por coisas simples, mas que agora são uma forma de libertação do sufoco em que vive.
O seu peito esconde as cicatrizes que mostram tudo aquilo que ela já passou. No entanto, nem toda a gente as consegue ver.
Cada vez que olho para ela, pergunto-me do que é feito do seu antigo “eu”. Pergunto-me como deixou que se tornasse nesta desconhecida.
“É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta”
Mas mais triste é perceber que a estranha no espelho sou eu e não conseguir perceber como cheguei a este ponto…
-AnaRA












